Como impedir que a tristeza ou a alegria atrapalhe a sua vida financeira?

Um dia eu comprei dez pares de calçados e eu descobri que eu precisava mudar.  


Eu tenho 30 anos de idade e sempre me sustentei. Eu sempre banquei os meus caprichos, desejos e corri atrás de realizar os meus sonhos. Mas veja só: Tudo tem um preço e às vezes alto e doloroso demais. Vou te contar como eu comecei a mudar a minha vida financeira e como você pode também mudar a sua.
Uma placa indica: Liquidação, promoção ou queima de estoque. Imperdível não é mesmo? Difícil não entrar na loja só para dar uma espiadinha, né?
Até os meus vinte e poucos anos eu não resistia e entrava na loja. Tudo era lindo, maravilhoso e tão barato. Nunca vi tão acessível!
A vendedora sorridente e tão prestativa logo vinha com uma cestinha que eu logo segurava. Era emocionante selecionar roupas, calçados e bolsas com um preço tão incrível. Montei um guarda-roupa e paguei tão pouco por isso.
Essa situação despertava sensações complexas: Primeiro eu me sentia em êxtase e depois eu me sentia culpada.
- Como eu pude ser tão irresponsável comprometendo a renda familiar comprando coisas que eu nem precisava?  
-  Como pude comprar vestidos que preciso emagrecer para servir e sapato menor que o meu pé?
Confesso que cometi sérios erros neste departamento. Aos poucos percebi que roupa é um pedaço de pano que eu não preciso ter milhares para vestir. Posso ir comprando um vestido por vez.

Não adianta fugir das vitrines para não cair em tentação. É preciso trabalhar a mudança de dentro para fora. Primeiro você muda o seu jeito de pensar e ver as coisas e depois você aplica no seu cotidiano.

Você pode continuar apreciando as tendências de moda e conferir as novidades nas vitrines sem comprar tudo que vê pela frente.
Expressões como: Isso é a minha cara! Gente, é tudo que eu sempre quis! Que coisa mais linda meu Deus do céu! (Sempre pronunciado com ênfase, empolgação e uma felicidade sem tamanho).

Palavras como: minimalismo e desapega não faziam parte do meu dicionário. Hoje posso dizer que foram fundamentais no meu processo de mudança. Primeiro você seleciona tudo que não quer mais e doa. Aquela peça que um dia fez você feliz pode fazer outra pessoa também.

Deixe espaço para o novo chegar no seu guarda-roupa, na sua mente e no seu coração. Velhos hábitos precisam ser substituídos por novos hábitos saudáveis.

Lembro-me do dia em que eu estava tão feliz e queria comemorar. Entrei em uma loja e comprei dez pares de calçados, inclusive dois deles que meses depois descobri que não serviam no meu pé. Olha que bizarro! Eu nem calcei. Simplesmente foram comprados e colocados em uma prateleira sem uso algum.

Essa situação é feia, deprimente e doentia. Diferente da maioria das pessoas eu não comprava por tristeza, mas por alegria. Quando percebi o dinheiro foi saindo com uma rapidez grande, a renda foi comprometida por vaidade e o que me fez feliz acabou gerando intranquilidade, tristeza e questionamentos que me fizeram enxergar tudo diferente e foi assim que eu me tornei quem eu sou hoje.

No meu guarda-roupa só fica o que eu visto. Sabe aquela desculpa: Vou guardar e um dia eu visto? Não funciona comigo! Ou eu uso ou alguém vai usar e ser feliz.
Prateleira lotada de calçados? Não quero isso para minha vida. Eu compro uma sandália por vez. Entro na loja certa do que eu quero. Não sigo a opinião da vendedora, afinal a primeira regra antes de sair para as compras é saber porque e o que está comprando.

Daí vem a pergunta: Que tipo de pessoa você pensa ser?

Eu acabei me transformando em uma pessoa equilibrada, organizada e responsável com tudo, inclusive a parte financeira que é o tema deste artigo.  Eu acredito no meu futuro e procuro me preparar para o dia de amanhã que eu penso ter a oportunidade de viver.

Mudanças que você pode aplicar na sua vida financeira:
·        Não compre para comemorar sua alegria e nem como desculpa para substituir qualquer coisa;
·        Viu algo que gostou? Faça a seguinte pergunta: Eu preciso disso? Porque eu quero ter isso? Esse dinheiro vai me fazer falta?
·        Não use seu limite bancário como parte da sua renda mensal;
·        Tenha bom senso: Dinheiro é coisa séria. Hoje você tem, mas e amanhã?
·        Economize o máximo que puder. Comece guardando moedas, trocados e poupe, pois, de pequenos valores alcançamos também resultados.


Situação hipotética: O natal está chegando e eu preciso de um look diferente. Quero ficar linda! Vou sair e escolher algo diferente.

Dica: Abra seu guarda-roupa e conscientize-se de tudo que você já tem. Será que não tem uma roupa que serve perfeitamente para a ocasião?

Situação hipotética: Liquidação de roupa infantil? Não resisto! Vou aproveitar meu décimo terceiro e vou investir na compra de roupas novas para o meu filho.

Dica: Começo do ano tem material escolar, matrícula, livros, uniforme, transporte escolar. O que é mais importante: comprar roupas ou guardar o dinheiro para investir nas responsabilidades do começo do ano?

Não tenho e nunca tive a pretensão de ser rica, mas de viver bem e isso quer dizer: Ter paz, controlar a ansiedade, parar de pensar no que não deu certo e concentrar no que já deu certo e viver o dia de hoje sem atropelos, sem ilusões e sem vaidades excessivas.

E, foi tendo consciência do que de verdade é importante ter que eu mudei o meu jeito de ser e, mudei para melhor. Evolui, amordacei o ego e o orgulho, sacudi a poeira dos excessos e comecei a sentir os resultados.

Pare e pense em como você quer viver daqui para frente e se está satisfeito com a sua vida financeira.